Segunda-feira, Junho 10, 2013

Também funciona ao contrário

É caso conhecido e amplamente discutido este dos casais que se afastam dos amigos solteiros mal encetam namoro. Deplorável, e apenas aceite nos primeiros tempos de uma nova relação. Toda gente sabe como é que isto funciona. O que desconhecia era a versão inversa. Amigos que se afastam de outros porque estes começam uma relação amorosa. E não, não o fazem com intenção de dar espaço ao novo casal para se curtir, mas sim para marcar uma posição de oposição à mudança de estatuto. Custa-me entender onde reside a amizade em casos como este. Talvez seja de mim, mas volto a dizer, a felicidade dos outros deve ser a felicidade de que lhes quer bem. Digo eu, que gosto de dizer coisas.

Sexta-feira, Junho 07, 2013

Dúvidas que me atormentam

Poderá um estudante de literatura, uma pessoa formada na arte de escrever e ler, ser um bom escritor? 

Quarta-feira, Junho 05, 2013

"Era incapaz de namorar um homem feio"

Não, a frase não de uma adolescente na flor da vida, com as prioridades às avessas. A máxima saiu da boca de uma mulher com bem mais de 40 anos. Meus senhores, o mundo por vezes descarrila e ninguém sabe porquê. É por coisas tão pequenas e lamentáveis como esta.

O dia em que encarnei a Pretty Woman

O sol aquecia-me os ombros enquanto aguardava pela boleia que me ia levar a almoçar, uma carripana dos anos 70, tinham-me dito. Espreito para a estrada, impaciente, e o sol, que nunca deixou de me afagar os ombros, iluminou uma limousine branca ao fundo da rua. Brinco: é para nós! Ninguém consegue disfarçar a surpresa quando, qual veículo que conduz Richard Gere até Julia Roberts no épico final de Pretty Woman, a dita limousine pára suavemente ao nosso lado e o motorista sai para nos abrir a porta e convida para entrar. Depois? Depois foi como nos filmes, percorrer Lisboa com o copo de champanhe na mão e aproveitar ao máximo a experiência, que incluiu almoço numa reitoria de Lisboa e vista privilegiada para o Tejo e parte da cidade. Era um almoço de trabalho, mas teve contornos de conto-de-fadas. E nem refiro o facto de ter almoçado lado a lado com o sósia de George R R Martin, a quem não faltou o chapéu e cachimbo. Há dias assim e hoje foi um deles :)

Quinta-feira, Maio 30, 2013

A vaidade

Assim mesmo, em caixa baixa. A insuportável vaidade. O cabelo, as bocas fechadas e tensas de prisão de ventre, a postura ensaiada, sem margem para a espontaneidade. O cabelo, os sapatos, as unhas, os casacos. Não há cu para a vaidade vazia. Para a ausência de personalidade fechada em amargas posturas semi-intelectuais. São balões de ar que não explodem e enchem mais espaço do que deviam. Espampanantes, exuberantes e sem sentido. O detestável elefante na sala de porcelana, que dá voz à metáfora mais gasta de quem não encontra - será que consegue? - palavras para se explicar. Porque a vaidade, a irritante vaidade, ocupa demasiado espaço. À distância de um alfinete.

Sábado, Maio 25, 2013

Coisas de outro tempo

Esclareçam-me lá. Um jornalista não pode fazer publicidade ou associar-se a marcas mas, se for na qualidade de blogger, não há problema? É como aquilo de chamar palhaço ao Cavaco Silva? Isto é tão 2013, confesso que me sinto perdida nesta regras inventadas ao sabor do que dá mais jeito.

Quando foi que se estragaram?

Chama-se Daily Cristina e foi apresentado ao público com pompa e circunstância, jornalistas, produções fotográficas e muitos elogios à mistura. É uma loja nova? Não, é um blog pessoal e íntimo de uma apresentadora de televisão em Portugal. Vá, íntimo para quem quiser acreditar nisso. Há quem migre blogs para domínios de nome próprio na Internet, há até quem o faça aos pares, promovendo uma relação que devia ser pessoal mas quem tem um cunho público, muito pouco privado. Há quem escreva livros, há quem peça aos leitores para dar o mote para os escrever, há quem promova passatempos, votações, concursos e charadas e muitos, muitos cliques com partilhas de textos e opiniões para responder aos requisitos que, não raras vezes, dão origem a reportagens na imprensa nacional, que isto o mundo é muito pequeno e toda a gente conhece alguém que pode sempre dar um jeitinho. Fala-se de tudo, elogia-se, eleva-se ao patamar de extraordinário e, espremido, pouco mais sobra do que uma vontade quase doentia de ser alguém, de ganhar dinheiro, de ter poder e, inacreditavelmente, de ser uma referência, um opinion maker, uma criatura que sabe mais do que quem a rodeia. Trocam-se links e ligações como moeda de negócio, na ilusão de chegar a esse ansiado patamar. E a espontaneidade, a vontade de discutir ideias e opiniões? Essa voa ao sabor de públicos-alvo, devidamente catalogados que isto nunca se sabe quando é que a pode imprimir uma t-shirt, marcar uns jantares e, através dos patrocínios, gerar mais uma fonte de receitas. Estragámo-nos a troco de nada. Somos cada vez mais vazios. Mas somo-lo com purpurinas e muito glamour. Onde é que estão os flashes? O que acabei de escrever prova que tenho neurónios!

Quarta-feira, Maio 15, 2013

Quarta-feira, Maio 01, 2013

Do que se leva desta vida

Há minha frente um casal de 60 anos almoça com uma senhora de cerca de 40. Claramente debilitada, magra e com aura de infelicidade, a companhia do casal nunca abre a boca ou, se o faz, mal se ouve. Mas o chefe de família fá-lo com convicção por duas vezes. Da primeira pergunta se o prato que a senhora de 40 está a comer é saboroso, porque tem bom aspecto. Quando ouvimos a sua voz pela segunda vez, diz, com voz firme de comandante enternecido: tens companhia para almoçar, tens companhia para ir ao teatro, tens companhia para ir ao cinema. Não sei a história que os une, mas sei que a levam ao colo. A esta senhora, que mal consegue levar a colher à boca.

19 anos

Era domingo, eu tinha 16 anos, ele ficou-se pelos 18 desse dia. Passaram-se mais anos do que aqueles que ele viveu. Um dia que, como tantos e tantos outros, marcou a vida de muitos mais do que eu. E, no entanto, não passam 365 sem que me recorde. Mudou tudo desde então. Muitos morreram também, já depois da inocência de perceber que os mais novos perdem a vida tal como quem completa o ciclo natural, mas será sempre esta a perda que recordo quando penso no que é sofrer a perda de alguém. Foi orgânico e doloroso, marcou-me para sempre. Chorei sem filtros e nem percebi que havia tanta gente a ver. Dobrei-me à injustiça da morte e deixei-me ir nessa angústia. Nunca mais o repeti com essa intensidade, nem quero. Mas sei que é isso o que se sente quando se está de luto, por muito que se aprenda a fazê-lo de forma mais contida e discreta. E, no entanto, é o facto de ter passado mais do que uma vida do tamanho da que se perdeu que me dói agora. Porque, feitas as contas, já vivi duas, pelo menos. Sei que é verdade porque não me reconheço nem sei agora, como parecia então saber, definir quem sou. Não tenho as convicções de outrora, mas acredito que assimilei formas de estar que me protegem do mundo a que sempre me entreguei sem medos, acabando por sofrer as consequências de uma postura franca e aberta, sem subterfúgios. Passaram 19 anos, mais do que uma vida, e sinto que ainda não sei nada. Este será sempre um dia triste.

Quinta-feira, Abril 25, 2013

Coisas que não gosto

Quando tenho uma pequena percepção, um vislumbre ainda que momentâneo, da imagem que os outros têm de mim. Sei que não a posso mudar, felizmente já não me angustia tanto como quando era mais nova. Também sei que essa imagem que me aterroriza, por ser cheia de ideias formatadas que não permitem qualquer modificação, apesar de poder ser extensiva a um número maior de pessoas do que gosto de imaginar, resulta de falta de conhecimento. Isso mesmo. Quanto mais conhecemos os outros, melhor compreendemos as suas razões e atitudes. Quando assim é, as gavetas desaparecem, dando lugar a formas de estar motivadas por personalidades com que temos mais ou menos afinidade mas que entendemos ser fruto de uma maior complexidade. Fiz-me entender? Talvez não.

Terça-feira, Abril 23, 2013

Dizem que é um bichinho

Sinto saudades de deixar as mãos deslizar pelo teclado para dar forma e cor a cenas que perscrutei com alma de repórter. De deixar que o texto respire, sendo eu apenas o veículo do que observei, escutei e permiti que se moldasse ao meu jeito de sentir o Mundo. Pensei que tinha morrido em mim, afinal, ainda cá anda.

Terça-feira, Abril 16, 2013

Um murro daqueles

Acabei de perceber que uma blogger que muitos seguem - seguiam - morreu depois de uma luta corajosa contra o cancro. Merda de doença esta que não dá tréguas e causa tanto sofrimento. Tão triste.

Sexta-feira, Abril 05, 2013

A bem da verdade, passaram sete anos!

Eu não sabia, não podia saber, mas naquele dia fui salva. Quando a cólica me deitou ao chão em plena redacção, deu-se início a uma mudança que ainda não está completamente instalada. Hoje não sou a miúda cheia de certezas e convicções de então. Hoje não sei quem sou, sei apenas que sou diferente e, tenho quase a certeza, também sou melhor. Mudei, mudei muito. Mas penso que não temos alternativa quando somos diagnosticados com uma doença tão cruel, mesmo quando se tem a sorte de não passar disso. De um diagnóstico que todos os exames e consultas negam ao longo dos anos. E é isso que é impressionante. Os anos. Anos traduzem passagem de tempo, que é tudo o que nos é tirado quando ouvimos aquela palavra da boca de um médico. Sei que, por isso, sou afortunada. Por muito de mal que aconteça, tento não me esquecer. São sete anos. Sete anos de vida.